sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Resolver Honduras é difícil ou impossível (embaixador do Brasil no país de Zelaya)

O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes (na foto, com Zelaya), disse nesta sexta-feira estar pessimista sobre as perspectivas de negociação entre o governo interino de Honduras e o presidente deposto Manuel Zelaya. Para ele, o progresso é "difícil ou impossível". Cesaes foi um dos diplomatas que esteve em Honduras nesta semana para conversar com ambos os lados, sem sucesso. Houve acordo apenas em relação a uma agenda de negociações.

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O diplomata disse nesta sexta-feira, perante o Conselho Permanente da OEA, que, apesar das dificuldades, "mantém a esperança" de que o governo interino, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, e Zelaya cheguem a um acordo.

O governo brasileiro afirma esperar que a OEA medie a crise.

A missão da OEA, encabeçada pelo secretário-geral da instituição, José Miguel Insulza, se reuniu nesta quarta-feira (7) com Micheletti, na Casa Presidencial, e com Zelaya, dentro da embaixada brasileira na capital Tegucigalpa, onde ele e dezenas dos seus partidários estão "abrigados" desde o último dia 21 de setembro.

No dia seguinte, pouco antes de deixar Honduras, a missão emitiu um insípido comunicado no qual expressava "esperança" no processo. O secretário de Assuntos Políticos da OEA, Victor Rico, admitiu que a delegação ficou "surpresa" com a resistência demonstrada por Micheletti na reunião --o que teria sido o motivo do pouco avanço do diálogo até o momento.

Na reunião, quando os chanceleres propuseram a possibilidade de restituir Zelaya antes das eleições marcadas para novembro que vem, Micheletti respondeu em um tom de desafio. "O objetivo final são as eleições, que terão lugar em 29 de novembro [...]. Só se nos mandarem um ataque e nos invadirem, é a única forma de nos deter", disse, segundo relato de Rico.

Nas conversas, portanto, o presidente interino de Honduras insistiu que só abandonará o cargo se Zelaya também o fizer, o que, para o governo brasileiro, envolvido nos diálogos, seria inadmissível.

Nesta quinta-feira (8), Zelaya afirmou em entrevista a um canal de TV que a recusa da gestão interina em aceitar o retorno dele está levando o país "ao abismo". Para o deposto, Micheletti age "como se vivesse em um outro mundo, como se Honduras fosse uma grande potência" e "desencadeou uma briga contra o mundo".

Histórico
Zelaya voltou a Honduras no último dia 21, quase três meses depois de ser expulso. Nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça, ele foi detido por militares, com apoio da Suprema Corte e do Congresso, sob a alegação de que visava a infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano -- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resistiu à pressão externa para que Zelaya fosse restituído e governou um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida até esta semana em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.

Mas o retorno de Zelaya aumentou a pressão internacional sobre o governo interino, alimentou uma onda de protestos e fez da crise hondurenha um dos temas da Assembleia Geral da ONU, reunida em Nova York neste mês. A ONU suspendeu um acordo de cooperação com o tribunal eleitoral hondurenho e a OEA planeja a viagem de uma delegação diplomática a Honduras para tentar negociar uma saída para o impasse.

Além disso, a coesão da elite hondurenha começou a apresentar sinais de desgaste desde a semana passada, e os protestos em favor do governo interino, comuns no início da crise, passaram a ser superados de longe, em número e volume, pelas manifestações pró-Zelaya, que desafiaram os toques de recolher e o estado de exceção.

Pelo menos três pessoas morreram em manifestações de simpatizantes de Zelaya reprimidas pelas forças de segurança, mas o grupo pró-Zelaya diz que até dez pessoas podem ter morrido. Folha Online

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